3 - 4 minutes readVereadores de BH elegem hoje o novo presidente da Câmara
Reader Mode

A Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) escolhe, nesta segunda-feira, seu novo presidente, que ficará no cargo pelo próximo biênio. A eleição, com sessão marcada para 9h, tem, na reta final, dois grupos definidos e uma relação conturbada.

A Casa está dividida entre dois grupos: os vereadores da base da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) e os parlamentares aliados a atual dirigente, Nely Aquino (Podemos), e ao deputado federal Marcelo Aro (PP). Nos últimos dias, houve um pedido de impeachment e abertura de CPI. 

Do lado do prefeito Fuad Noman (PSD), pelo menos três nomes foram aventados para a presidência: Bruno Miranda (PDT), Wanderley Porto (Mais Brasil) e Claudiney Dulim (Avante) – sendo o de Miranda o favorito. Até a tarde de ontem, não havia uma oficialização do nome. 

Já o outro grupo, chamado informalmente de ‘Família Aro’, optou pelo nome de Juliano Lopes (Agir). A disputa, conforme vem mostrando O TEMPO, está acirrada. 

Fiel da balança

Correndo por fora, o vereador Gabriel Azevedo (sem partido) chegou a colocar candidatura, mas acabou se vendo isolado e três parlamentares que o apoiaram no começo migraram para engrossar os votos de Bruno Miranda. Até ontem, ele mantinha sua candidatura. 

A expectativa é de que Azevedo abra mão para apoiar um dos dois grupos, já que ele pode funcionar como um fiel da balança, uma vez que, com a disputa acirrada, o voto do vereador e de outros dois parlamentares que o acompanham – Cleiton Xavier (PMN) e Jorge Santos (Republicanos) – , poderá definir a eleição em prol do grupo que ele apoiar. Nos bastidores, Azevedo dialoga com os dois grupos. 

Embora alguns vereadores não revelem seus votos, os dois grupos garantem ter os 21 votos necessários para se sagrar vencedor. Na última quinta-feira, o prefeito almoçou com 17 parlamentares que devem votar em Bruno Miranda, líder do governo na CMBH. Somados a esses, outros quatro vereadores do bloco de esquerda devem fechar com o grupo. Com isso, Bruno teria os 21 votos, sem depender dos três de Azevedo. 

Já o grupo ‘Família Aro’ avalia ter os 21 votos, sendo 17 parlamentares fixos e Célio Frois (PSC) e Ramon Bibiano (PSD), que estiveram no almoço com Fuad. A esquerda, formada por Pedro Patrus e Macaé Evaristo, do PT, Iza Lourença e Bella Gonçalves, do PSOL, tende a ir com a PBH, mas ainda pode apresentar candidato.

Um jogo com muitas peças envolvidas

O prefeito Fuad Noman (PSD) pensava em se manter neutro na disputa da CMBH, sem colocar um nome que fizesse frente ao grupo de Nely Aquino (Podemos). Mas, há poucas semanas, decidiu acenar com uma candidatura, uma vez que, sem um vice-prefeito, ele ficaria vulnerável com a Câmara presidida por um adversário político. 

No último mandato de Alexandre Kalil (PSD), esse mesmo grupo fez oposição ferrenha ao então prefeito, o que culminou em duas CPIs instauradas e projetos do Executivo não aprovados. Pessoas ligadas a Nely contaram a O TEMPO que a atitude de Fuad não a agradou, porque viu uma clara tentativa do Executivo interferir no Legislativo.

A partir daí, o clima, que era pacífico, passou a ser belicoso entre Nely e o prefeito. Conforme noticiado pela coluna Aparte, o deputado federal Marcelo Aro (PP), operador das articulações do grupo de Nely, chegou a ameaçar Fuad por meio de interlocutores, de que ele não finalizaria o mandato caso insistisse em fazer um candidato na CMBH.

Recentemente, Nely instaurou uma CPI para investigar os contratos de limpeza da lagoa da Pampulha, fato que respinga no secretário de Governo, Josué Valadão.

CPI

Na semana passada, a presidente da CMBH recebeu e deu prosseguimento a um pedido de impeachment contra Fuad Noman, acusado de praticar nepotismo cruzado ao nomear parentes de vereadores.

O Tempo